Representatividade para os jovens negros. Importa?

Na escola, durante as aulas de História é comum aprendermos sobre o dia 13 de maio e a Abolição da Escravatura.

Hoje, com mais consciência de que a história do país foi registrada nos livros partindo apenas de um ponto de vista, os movimentos negros atuam para diminuir o abismo entre a realidade vivida pelos negros escravos, que do dia para a noite foram libertos e jogados a própria sorte nas ruas das cidades brasileiras.

Diferente do Brasil, os EUA libertaram os escravos negros em 1863 e após dois anos permitiu o voto aos negros libertos, embora não funcionasse claramente como uma política de real inclusão social serviu como o início.

Cem anos após a abolição escravocrata dos americanos, a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, liderada por Martin Luther King, reuniu mais de 250 mil pessoas que clamavam pelo fim da segregação racial.

Outra figura emblemática na questão racial nos EUA foi Malcolm X, o militante teve a casa incendiada na infância pela Ku Klux Klan (movimento que pregava a soberania branca) e já na fase adulta converteu-se ao Islamismo e iniciou uma série de viagens pelo país fundando mesquitas e dando palestras, principalmente expondo sua ideia mais radical de não aceitar a igualdade racial e integração de negros à sociedade branca.

Ambos nomes pós-abolição, tanto Martin Luther King quanto Malcolm X aumentaram a autoestima dos negros americanos que iniciaram a busca por seus lugares de fala. Na década de 1960, como forma de promoção da igualdade social entre negros e brancos, o então presidente John Kennedy passou a validar ações que resultaram em mais negros com acesso às universidades e assim aumentando a classe média negra.

Na atualidade, Barack Obama tem assumido o papel de liderança negra americana e sua trajetória inspira jovens negros, americanos ou não.

Quem é Barack Obama?

Ser presidente de um país, de uma república, não é necessariamente o sonho de toda criança. A popularidade das profissões muda de acordo com as gerações, acompanhando a demanda do mercado de trabalho ou o próprio ímpeto juvenil. No entanto, a responsabilidade de olhar e decidir por milhões de pessoas não adquiriu qualquer grife ao longo dos anos. Agora, ao fardo desse cargo, acrescente elementos que somatizam a pressão: negro; de raízes muçulmanas e a favor da igualdade em todos os âmbitos. Essa foi a vida de Barack Obama entre 2009 e 2017.

 

O 44º presidente eleito pelos Estados Unidos foi marcado por sua luta a favor de minorias, a morte de Osama Bin Laden e espionagem. Pontos positivos e negativos em voga, fato é que não desviar para a variável “primeiro presidente norte-americano negro” é quase inevitável. Além disso, Obama foi responsável pela quebra de um grande paradigma dentro da sociedade dos EUA, conquistando a confiança da parcela descontente com o governo de George W. Bush. Agora, dois anos após a eleição do empresário republicano Donald Trump, o legado do ex-presidente democrata trava lutas intensas com o ambiente hostil dentro do atual governo. A reaproximação com Cuba, por exemplo, é símbolo do contraste.

Qual seria, portanto, a ideia que temos de Barack Obama? A pergunta que inicia a reportagem não tem resposta clara, mas é possível observar as expectativas que rodeiam o político. Ele e Michelle, sua esposa, anunciaram há pouco tempo a possibilidade de conduzirem, juntos, projetos na Netflix. Com o contrato assinado com a plataforma de streaming, a ideia será debater questões que nortearam parte do governo de Barack Obama, como raça, classe, direitos civis e democracia, entre outros temas.

Aberto à discussão, disposto e admitindo a tecnologia como alicerce necessário e efetivo no momento de falar sério. Longe da perfeição e com erros acumulados ao longo da vida pública. Também é inevitável. A diferença foi o aprendizado e a crença de que, sim, nós podemos.

 

 

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